Hoje eu me deparei pensando no quanto o curso da vida é dinâmico. Na verdade, sempre me deparo com esses pensamentos 'meio que' filosóficos de que nós nunca somos os mesmos, a cada segundo que passa. Pensando mais profundamente, cada experiência tende a nos modificar, já que estamos sempre aprendendo e reformulando conceitos. Enfim... hoje eu pensei no quanto tudo mudou nos últimos meses.
Cerca de seis meses atrás, após uma troca de e-mails com uma pessoa que foi essencial na minha vida, na qual suas palavras me tocaram como (falando bem 'bregamente') uma adaga no peito, eu simplesmente perdi a vontade. De que? De tudo. Faltei quantas aulas eu pude na faculdade (além das que eu também não pude), deixei minha Iniciação Científica de lado, dormi cedo e acordei tarde pra que os dias passassem cada vez mais rapidamente, além de quase me entregar ao álcool e ao cigarro. Bebia sempre que podia e o dinheiro permitia. Saía da aula às sextas-feiras (quando as assistia), direto para o bar e só chegava em casa ao meio-dia do sábado, para sair novamente e chegar na noite do domingo. Para completar toda a situação, no meio desse “mês” minha mãe perde o emprego e fica deprimida. Ficamos as duas em casa, mais cabisbaixas do que duas velhas, lendo o que os horóscopos e mapas astrais diziam sobre nossas personalidades e futuros. Mais deprimente impossível. E, ainda, pra incrementar, tenho mais uma discussão homérica com meu pai, na qual realmente decido parar de dirigir-lhe a palavra. Isso me custou muito... muito do meu dinheiro.
Durou cerca de um mês, até que decidi entrar na terapia. Tudo muito bom, tudo muito bem. Pelo menos era o que eu dizia a todos que me perguntavam “e aí, como está a terapia?”, típico dos estudantes de Psicologia. Marquei as sessões às sextas, que era pra não sair mais da aula direto para o bar. Primeira sessão, falo um pouco sobre mim, minha vida, minha rotina. Na ida para a segunda sessão quase desisto no meio do caminho, “o que diabos eu vou falar hoje?”... decidi falar sobre o meu pai, foi o que saiu na hora. Bom? Razoável. Saí um pouco aliviada, com algumas reflexões, mas eu sabia que não estava ali por causa disso. Terceira sessão, tomo três cervejas antes de ir e finalmente consigo desabafar algo, chorar um pouco sobre o que realmente me entristecia. Mas sabia que havia sido por causa da cerveja. Entre a terceira e a quarta sessão, decidi fazer uma tatuagem. Aliás, decidido fazer eu já havia há muito tempo, só não o que. Fui, sem dinheiro, passei no cartão de crédito. Sozinha, sem dizer a ninguém, sem chorar e com um certo prazer em sentir toda aquela dor e ar de revolta.
Quarta sessão, vou ao bar tomar algumas cervejas novamente antes de ir a terapia. Uma, duas, três, quatro. Ligo pra o terapeuta com a intenção de inventar uma desculpa, dizendo que não vou. Ele não atende. Quando me retorna, eu não atendo. Saio do bar, quase sete horas da noite. Bêbada. Quinta sessão: “me desculpe, mas eu acho que eu não estou em momento de falar dos meus problemas, eu nunca sei o que dizer, etc, etc, etc”. Saí da terapia. Saí com a sensação de que estava gastando muito, para nada.
A essa altura do campeonato, eu já estava endividada. Tudo porque no auge da deprê foi o meu aniversário, em que eu prometi pagar uma grade de cerveja para os meus amigos da faculdade. Bebemos, bebemos, bebemos, a tarde inteira e eu sai de lá, mais uma vez, sozinha e bêbada, às oito da noite, chorando baixo no ônibus. Tudo começou com a grade de cerveja, depois o aniversário da melhor amiga em Maracaípe, depois a tatuagem, depois os cento e tanto reais gastos com fracasso na tentativa de terapia, juntando o fato de meu pai não estar me dando dinheiro. Foi tudo virando um bolo de neve a pagar.
Tudo só aumentava a sensação de “nada dá certo para mim”.
[Continua...]
terça-feira, 3 de março de 2009
Assinar:
Comentários (Atom)
