Ele acordou e recordou algo que remetia a você. Logo esqueceu. Fez suas atividades rotineiras, chatas e cretinas. Nem sequer lembrou-se de você. Estudou, almoçou, trabalhou, tomou um banho relaxante, conversou, olhou seus e-mails. E nada, de você! Alguns amigos ligaram, chamaram pra noite. Ele saiu, se divertiu, riu e não se recordou de você. Ao decorrer da noite, entre um copo de cerveja e outro, lembrou-se novamente que você existe. Existiu. Existe. E como lembrou...
Lembrou de todos os momentos possíveis de serem lembrados. Lembrou do seu rosto, do seu corpo, do seu jeito. De como era seu abraço que o confortava de um jeito que ninguém mais conseguia fazer. Do seu beijo angustiado, dos seus carinhos ora leves, ora intensos. Lembrou-se de como fazer amor, com você, era mágico. Lembrou de como te observava dormir, como se tivesse medo de esquecer cada detalhe do seu rosto antes de ele próprio adormecer. Ele lembrou, inclusive, de si mesmo. De como ele era quando estava ao seu lado. De como o mundo dele, até certo dia, girava em torno de você. Lembrou de como a vida dele foi diferente. E, nesse momento, ele se apegou ao verbo “foi” e ao tempo que significava ‘passado’.
Então ele lembrou que não podia mais lembrar. Ele lembrou que já deveria ter esquecido você. Lembrou das tantas paixões que se passaram depois de você, e que nenhuma chegou a ser igual a história que vocês viveram. E lembrou que quem pôs um fim a tudo foi ele mesmo. Apesar disso, entre outros copos de cervejas, teve impulsos de te ligar. Perguntar como você estava: “oi, quanto tempo...”, “alô, tudo bom?!”. Tudo isso parecia, para ele, ridículo. Não parecia, era. Mesmo assim, durante a madrugada, alcoolizado, correu ao banheiro do bar e se surpreendeu ao perceber que ainda sabia seu número de cor. Fazia mais de um ano que ele não ligava e nem pensava nesse número. Pegou seu celular e discou. Apertou o botão verde, chamou somente duas vezes. Você parecia estar acordada e atendeu. A sua voz. O seu “alô”.
Emudeceu. Desistiu. Desligou. Chorou.
Chorou por se lembrar que tudo passou. E por se dar conta, de que, na realidade nada passou. De que tudo se mantém vivo, aceso e infestado dentro dele. Chorou por saber que já devia ter matado você. Ele chorou, no fim, por sua própria morte. Por estar condenado a lembrar. Lembrar, só. E só lembrar.
Chorou até dormir e em sonhos, relembrar.
No outro dia, a ressaca, foi moral. Porém, entre os diversos copos d’água, ele logo esqueceu. Até a próxima noite perdido entre os amigos e os copos de cervejas. E também, entre as lembranças...
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
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uauuuuuuuuuuuuuu
ResponderExcluir'quem foi que disse que a vida é justa?'
entre uma lembrança e outra a gente vai vivendo e construindo novas lembranças =]
my dear, nas lembranças guardamos tudo que há de mais especial numa relação. e é isso o que fica; a lembrança!
ResponderExcluirvocê vai me ver este fim de semana ou vai me abandonar, como sempre? se me abandonar, ficarei com nossas 'lembranças'.
ResponderExcluirHum...o que dizer?? Me reconheço demais no que tu escreveu, em tudo que tu escreveu. Ai eu me pergunto...escreveu ou descreveu?
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