terça-feira, 15 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Ela desejou estar longe da hipocrisia daqueles que não amam a si mesmos. Bem longe do mal-estar causado pelas exclusões. Distante de quem só olha pra cima e acaba sem enxergar o próprio umbigo. Longe da falta de compreensão, de paciência, de compaixão, de amor. Distante de tanta inocência ou de tanta crueldade. Desejou estar bem distante dos extremismos em que os seres humanos fazem tanta questão de se definir e definir o outro.
Ela quis (muito!) nunca mais ser tachada de “tão boa”. Imaginou que numa vida bem longe daqui, ela poderia ser o que quisesse, na hora que bem entendesse. E gritar palavrinha por palavrinha as coisas que pensa sem medo de magoar e nem ferir ninguém, porque as pessoas não se importariam em ouvir verdades. E em aceitar erros, os próprios e os alheios, porque não há nada mais humano que errar.
Ela desejou estar bem longe desse lugar e momento em que está. E das vontades que sente agora. Quis não mais desejar ser egoísta e deixar de lado as pessoas que pensam ser qualquer coisa, em definição. E, principalmente, daquelas que pensam que o outro é alguém que também se possa definir. Desejou não mais ter a constante vontade de mandar à merda todo mundo que, de alguma maneira, acha que é só vítima.
Quis estar bem distante dessa enorme vontade de bater. Dar na cara de quem pensa que é alguém.
E, mais que tudo, quis estar longe da sensação de que não há ninguém que não seja assim.
Desejou estar num lugar em que esqueça que hipocrisia está dentro de nós. Todos nós.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
das últimas horas, dias e meses.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Em que se sonha com o dia em tudo voltará ao normal
Em que se tenta respirar fundo pra acalmar as batidas do coração
Em que se fuma todos os cigarros esperando que se dissolva o nó da garganta
Em que se sai de casa pra lugar nenhum pra tirar da memória as lembranças
O dia em que se espera que os telefonemas voltem a ser somente cobranças
Em que se espera que a mágoa e o rancor sejam motivo de graça
E que as músicas e os odores sejam só vagas recordações
Os filmes e os poemas, meras distrações
O dia em que dançar seja motivo pra acalmar o corpo
E que cantar seja motivo pra acalmar a alma
E a vida chega aquele ponto em que só se quer paz e sossego
Não se quer mais chorar, gritar, se mostrar nem se esconder.
Chegou o dia em que só se quer conseguir adormecer.
domingo, 30 de agosto de 2009
se o segredo pra sonhar é não desistir
eu te peço, oh! minha amada me diz
o que é que eu tô fazendo aqui?
não se importe comigo, eu já sei pra onde ir
vou pra outro universo bem longe daqui
e quem sabe lá mesmo eu já vou descobrir
se valeu a pena ou não partir
por que eu não quero acordar
eu não quero entender
eu não quero escrever sobre amor pra você
eu não quero cantar tudo belo que há
o romântico em mim não quer mais trabalhar
ainda bem que me resta o poder de mentir
assim eu vou conservar o que resta de mim
só me dê um motivo pra poder destruir
o que sobrou do nosso jardim
por que eu não quero acordar, eu não quero entender, eu não quero escrever sobre amor pra você
eu não quero cantar tudo belo que há, o romântico em mim não quer mais trabalhar
não, eu não quero deixar tudo como está
só me faça o favor de deixar tudo como está
por que eu não quero acordar
eu não quero entender
eu não quero escrever sobre amor pra você
eu não quero cantar tudo belo que há
o romântico em mim não quer mais trabalhar
não quer mais perdoar
desistir sem tentar
então eu vou deixar ele descansar
então eu vou deixar tudo como está.
[o romântico em mim - caravana do delírio]
quinta-feira, 25 de junho de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
Decidi colocá-lo aqui, visto que está chegando o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, em 18 de Maio.
"A loucura pobre que escrevo é a loucura que está mais ou menos presente em cada um de nós e não aquela que pela diagnose recebeu o batismo psiquiátrico de esquizofrenia ou qualquer outro rótulo inventado... Assim, quando uso a palavra louco não me refiro a uma raça especial de pessoas, mas o louco que há em mim dirige-se ao louco que há em vós na esperança de que o primeiro louco fale clara ou suficientemente alto para o outro ouvir." (David Cooper em A linguagem da Loucura)
Aos já psicólogos e aos quase psicólogos que vêm aqui, acho que é o tipo de leitura que sempre nos ajuda a refletir sobre a nossa profissão e as demais que trabalham com saúde mental e a maneira com que concebemos o nosso próprio tema de estudo. É certo que a nossa concepção sobre a loucura é o que molda a maneira como nos relacionamos e cuidamos de nossos pacientes e de toda a rede integrada que (n)os circula. Pode parecer "batido" para quem está na área, mas Reflitam!
P.S.:se alguém que ler isso aqui tiver idéia de como eu achar esse livro (A lgg da loucura) me diga, por favor.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Bom... eu me pergunto isso quase todos os dias. Logo depois me conformo com a falta de inspiração em escrevê-la. Não é difícil... é simplesmente uma narrativa, porém toda a emoção ficou pra trás. Ou pelo menos, todo o auge da emoção. Isso não quer dizer que eu não vá continuar a história. Porém toda a criatividade, vontade e inspiração em escrever algo estão me abandonando. Não sei se acontece com todo mundo, mas é uma das coisas que eu não gosto em estar apaixonada, ser correspondida e estar feliz... minhas palavras (principalmentes as escritas) são movidas pela tristeza e melancolia, e quando estou nesse momento 'bobo' e 'brega' do apaixonamento são poucas as coisas que me movem a escrever.
terça-feira, 3 de março de 2009
O mundo gira, o mundo é uma bola - Parte 1
Cerca de seis meses atrás, após uma troca de e-mails com uma pessoa que foi essencial na minha vida, na qual suas palavras me tocaram como (falando bem 'bregamente') uma adaga no peito, eu simplesmente perdi a vontade. De que? De tudo. Faltei quantas aulas eu pude na faculdade (além das que eu também não pude), deixei minha Iniciação Científica de lado, dormi cedo e acordei tarde pra que os dias passassem cada vez mais rapidamente, além de quase me entregar ao álcool e ao cigarro. Bebia sempre que podia e o dinheiro permitia. Saía da aula às sextas-feiras (quando as assistia), direto para o bar e só chegava em casa ao meio-dia do sábado, para sair novamente e chegar na noite do domingo. Para completar toda a situação, no meio desse “mês” minha mãe perde o emprego e fica deprimida. Ficamos as duas em casa, mais cabisbaixas do que duas velhas, lendo o que os horóscopos e mapas astrais diziam sobre nossas personalidades e futuros. Mais deprimente impossível. E, ainda, pra incrementar, tenho mais uma discussão homérica com meu pai, na qual realmente decido parar de dirigir-lhe a palavra. Isso me custou muito... muito do meu dinheiro.
Durou cerca de um mês, até que decidi entrar na terapia. Tudo muito bom, tudo muito bem. Pelo menos era o que eu dizia a todos que me perguntavam “e aí, como está a terapia?”, típico dos estudantes de Psicologia. Marquei as sessões às sextas, que era pra não sair mais da aula direto para o bar. Primeira sessão, falo um pouco sobre mim, minha vida, minha rotina. Na ida para a segunda sessão quase desisto no meio do caminho, “o que diabos eu vou falar hoje?”... decidi falar sobre o meu pai, foi o que saiu na hora. Bom? Razoável. Saí um pouco aliviada, com algumas reflexões, mas eu sabia que não estava ali por causa disso. Terceira sessão, tomo três cervejas antes de ir e finalmente consigo desabafar algo, chorar um pouco sobre o que realmente me entristecia. Mas sabia que havia sido por causa da cerveja. Entre a terceira e a quarta sessão, decidi fazer uma tatuagem. Aliás, decidido fazer eu já havia há muito tempo, só não o que. Fui, sem dinheiro, passei no cartão de crédito. Sozinha, sem dizer a ninguém, sem chorar e com um certo prazer em sentir toda aquela dor e ar de revolta.
Quarta sessão, vou ao bar tomar algumas cervejas novamente antes de ir a terapia. Uma, duas, três, quatro. Ligo pra o terapeuta com a intenção de inventar uma desculpa, dizendo que não vou. Ele não atende. Quando me retorna, eu não atendo. Saio do bar, quase sete horas da noite. Bêbada. Quinta sessão: “me desculpe, mas eu acho que eu não estou em momento de falar dos meus problemas, eu nunca sei o que dizer, etc, etc, etc”. Saí da terapia. Saí com a sensação de que estava gastando muito, para nada.
A essa altura do campeonato, eu já estava endividada. Tudo porque no auge da deprê foi o meu aniversário, em que eu prometi pagar uma grade de cerveja para os meus amigos da faculdade. Bebemos, bebemos, bebemos, a tarde inteira e eu sai de lá, mais uma vez, sozinha e bêbada, às oito da noite, chorando baixo no ônibus. Tudo começou com a grade de cerveja, depois o aniversário da melhor amiga em Maracaípe, depois a tatuagem, depois os cento e tanto reais gastos com fracasso na tentativa de terapia, juntando o fato de meu pai não estar me dando dinheiro. Foi tudo virando um bolo de neve a pagar.
Tudo só aumentava a sensação de “nada dá certo para mim”.
[Continua...]
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Pensa, Mariana!
Final de semana em Maracaípe.
Contrariando as expectativas alheias.
De volta ao Recife.
Dorme um pouco, Mariana, amanhã você tem coisas a fazer.
Puta que o pariu, Mariana, era só um pouco, e não doze horas.
Agora você vai ter que fazer o relatório (pra hoje) correndo.
Relatório pronto e enviado, uffffa!
Ai, meudeus, você já fez sua matrícula, sua maluca?
Sete disciplinas e três pesquisas... esse semestre você não vai ter tempo nem pra respirar.
Meudeus... esse é seu último ano de aula teórica, já pensou nisso?
Depois... estágio e monografia.
O tempo, voa, Mariana. Vooooooooooooaaaa.
Daqui a pouco você está formada.
O que você sabe sobre psicologia, Mariana?
Parece que nada, não é? Merda nenhuma.
O que você vai fazer depois, hein? O que porra você pensa em fazer depois?
Trabalho? Mestrado? Doutorado?
Mestrado, doutorado? Você nunca vai parar de estudar?
Nuuuunca vai parar de estudar, sua louca?
Fodeu, Mariana.
Fodeu!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Diálogo.

"— E você, por que desvia o olhar?
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida."
[Rita Apoena - http://www.pequenascoisas.org]
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
dois mil e nove.

Hoje, ao acordar, refleti sobre os primeiros dias desse ano tão esperado. Cheguei a conclusão de que tudo está estranho, porém bom. Estranho no sentido do 'novo'. Estou aprendendo muito, descobrindo muito e redescobrindo bastante. As pessoas ao meu redor estão me surpreendendo mais e mais a cada dia que passa. E falando em 'passar', a vida anda tão ligeira que ás vezes dá desespero. Os minutos, as horas, os dias... parece que todos se vão naquela pressa na qual correm os atrasados. E eu procuro absorver cada aprendizado, momento, alegria, sinceridade, descoberta, novidade e até a dor que esses espaços de tempo podem proporcionar. Então me dou conta de que que não é tempo que parece estar atrasado, sou eu. Eu que passei muito tempo presa. Presa dentro de mim, dentro de lembranças, dentro de mentiras. Presa numa criança que não existia mais nem no meu corpo nem na minha mente, mas que eu segurava pela mão e não deixava ir.
Após todas as coisas que me vêm acontecendo desde os fins do ano passado, encontros, reencontros, medos, receios e alívios, eu percebi o quanto eu mudei de uns tempos pra cá. O quanto aquela criancinha realmente ficou pra trás junto com as opiniões, conceitos, rotina e amigos que em sua maioria não eram dela mesma. Eu cresci. Com um pulso mais firme, com minhas próprias certezas, minhas próprias vontades, meus gostos e com as pessoas que eu escolho manter ao meu redor. E ao descobrir que eu cresci deu uma vontade de engolir o mundo de uma vez só, uma vontade de me permitir, vontade de lutar pelo que quero, de segurar forte o que eu quero do meu lado, de enfrentar os meus medos e os alheios e de ser feliz. Cansei das mentiras, das ilusões, do medo, do rancor, da falta de liberdade.... cansei do cansaço. Agora eu sigo o tempo, sigo cada segundo, por mais rápido que esteja. Nem mais, nem menos.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
...
Como seria, se estivéssemos juntos.
Saberia talvez,
O que dizer para lhe agradar,
Ou também, o que fazer
Para vê-la sorrir.
Mas não estamos mais tão perto assim,
Somos vitimas do medo.
Medo de errar novamente,
Medo de talvez seguir em frente,
Medo de magoar ou ser magoado.
Historias passadas
Parecem se repetir
Em nosso presente.
Mas o pior de tudo,
Não é errar novamente,
O pior de tudo é ter medo
De que tudo possa vir a ser diferente.
Momento ainda não vivido,
Onde temos que ser cautelosos,
Seguir passo por passo,
Para não cairmos
Em mais uma armadilha da vida.
É como se estivéssemos
Caminhando de olhos vendados,
Ou talvez no escuro.
Mas não seria mais fácil,
Darmos as mãos
E seguirmos juntos?
Poderia ser
Que caíssemos
Do mesmo jeito,
Mas de alguma forma,
Ou por algum momento
Nos sentimos seguros"
[autor(a) desconhecido(a)]



